Enfim chegou a sexta-feira, parece um dia que você é obrigado a ser feliz, talvez por ter passado uma semana inteira esperando para poder sair sem se preocupar com horários, regras ou trabalho no dia seguinte. Uma espécie de carnaval semanal, que a obrigação sa felicidade se faz com relógios ou datas.
Não recordo qual foi a última vez que deixei de sair numa sexta-feira, mesmo que tenha sido para uma inocente cerveja que se arrastava madrugada a dentro, mas a maioria sem dúvida alguma foi passada na Lapa, entre programas quase iguais.
Ontem não seria diferente, recebo algumas ligações e faço algumas também e parecia que o destino estava traçado, afinal de contas era a tão sonhada véspera de sábado, mas eu parei e pensei o porquê dessa necessidade intrínseca de obrigatoriamente sair nesse dia e resolvi ficar em casa lendo um livro, pensei que já tinha tido uma quinta sensacional com amigos no mineiro, não era necessário ficar prolongando a felicidade estabelecida por uma data específica.
Fiquei em casa lendo O Estrangeiro (camus) e quanto mais lia mais queria continuar lendo, fui dormir as 5 da manhã, horário que normalmente estaria chegando em casa e posso dizer que foi uma excelente noite, quase visceral, daquelas que a melhor companhia que poderia ter achado estava guardada numa pilha de livros esquecidos e foi assim que curti uma das melhores nigths do ano.
''Também eu me sinto pronto a reviver tudo. Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à tenra indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que fora feliz e que ainda o era.'' (Albert Camus)

Um comentário:
Sensacional! Não li Camus ainda. Não li tanta coisa, aliás. Às vezes acho que não vai dar tempo. De ler o q quero. Desesperante. Sério haha.
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