segunda-feira, 25 de maio de 2009

De volta ao útero.

Faz exatos 4 anos que saí da casa da minha mãe. Fui morar com meu primo num apartamento onde a maioria dos móveis eram emprestados do senhorio. Era uma apartamento muito legal e tinha uma varanda que dava pra receber os amigos (todos sabem como gosto de varandas). A sensação de sair de casa foi muito boa, ganhei a privacidade, pois liberdade eu sempre tive.

Com o tempo a gente foi comprando móveis e apetrechos pro apê, até o ponto que ele parecia um playground, com mesa de sinuca e um projetor na sala. Vivi momentos extremament felizes nesse lugar. Vivi desde a putaria de ser solteiro e morar sozinho, a estar namorando e aproveitar aquele projetor num sábado a noite.

Tivemos que sair desde lugar e alugamos uma cobertura, que a princípio nos pareceu fantástico: piscina, sauna, terraço e churrasqueira, um playground melhorado, mas não foi assim que a coisa se desenrolou.

Como diriam os mais sábios, você tem duas alegrias numa cobertura, ''uma é quando entra e outra quando sai'', devidos a vários problemas estruturais e ao casamento do meu primo, resolvi me mudar e morar sozinho, mas não sem antes dar uma sensacional festa de close house. E tenho que dizer que mesmo com todos os problemas (sem gás, banho frio no inverno e inlfiltrações) a cobertura foi um dos momentos mais felizes da minha vida, pois tiveram jantares a beira da jacuzzi, banhos gelados com a sauna ligada e muito mais coisas que guardo pra mim.

Até que então, em setembro de 2007 eu alugo um apê só pra mim, montado do meu jeito e gosto. Quando entrei nele pela primeira vez eu senti um sabor muito especial, pois era primeira vez que aquilo tudo era meu. Aprendi a cuidar da casa, aprendi a cozinhar e ficava extremamente feliz quando recebia as pessoas.

Recordo dos jogos e shows no Maracanã, com a casa cheia e alegria dividida entre os amigos. Lembro da festa de aniversário com som alto até as 5 da manhã, e das festas de família que rolaram por lá. Lembro de outras coisas que só cabem a mim e a quem compartilhou os momentos comigo.

Eu já estava meio de saco cheio de morar sozinho, já havia procurado alguem pra dividir um lugar comigo, a solidão de certa forma já estava me aflingindo e pra culminar isso veio a crise e com ela a falta de grana. Não necessariamente uma falta de grana que me obrigasse a sair do apartamento, mas um bom motivo (desculpa) pra voltar pra casa da minha mãe.

Muitas pessoas se espantam quando falo que voltarei a morar no velho quarto de infância.Chegam a me falar palavras de solidariedade , quase com pena, mas creiam que não há nada para sentir pena nesse momento.

Foi uma escolha que doeu muito no início, pois era largar tudo aquilo que construi pra voltar ao útero da mamãe. Confesso que chorei bastante e depois disso fui me afeiçoando mais e mais a idéia da volta. Lógico que perderei em privacidade, mas ganharei em carinhos e mimos e principalmente dentro dos meus objetivos futuros, foi a escolha mais acertada e sem o menor chance de arrependimento.

Desses lugares que vivi momentos inimagináveis, trago as lembranças boas e as pessoas que por lá passaram. De material, trago pouquissimas coisas, não me apeguei a elas e espero que quem as leve, possa aproveitar tanto quanto eu aproveitei.

Falei, repetidamente, que nos três lugares que morei fui extremamente feliz. Não encontrei outras palavras pra descrever o que senti sobre os lugares, mas eu me lembro que os outros 28 anos anteriores da minha vida fui muito feliz no mesmo lugar que volto hoje.

2 comentários:

A digestora metanóica disse...

sem palavras.

(e com uma lagriminha no canto do olho).

força na peruca, paz no coração e coragem em tudo, rapá. torço por você. mesmo mesmo.

Lívia disse...

Minha volta ao "útero" (na verdade pra casa do meu pai) não foi tão tranquila. Me incomoda, e quero muito voltar a ter meu canto. E olha que tenho um pai fenomenal, que é na verdade um companheiro de ap que banca as contas, hehe.

Mas seu texto me ajudou a relaxar um pouco. Merci!

E boa sorte!